segunda-feira, 13 de julho de 2015

Obvio Ululante

Ha dois mil anos o que era comportamento contra cultura e vanguarda se tornou hoje o obvio ululante. percebia-se as coisas pelo angulo do olho por olho. a pura anarquia era que o amor não teria valor se houvesse amor por retribuição. os que tinham valor e o amor verdadeiro conseguiam amar seus inimigos. 

não foi dito por jesus para não se ter inimigos. 

pois a realização e a convicção somadas dimensionam a quantidade de vozes opositoras. 

caso o objetivo seja se esconder ou se calar, por ignorância ou opção, diminui-se a resistência, e em casos assim se torna possível viver sem inimigos.

sentimentos geram pensamentos, pensamento é tempo e energia. o que investe pensamentos para derrotar os inimigos perde exatamente a mesma quantidade de tempo e energia, que poderia ser usada para realizar a auto felicidade, ou ate mesmo descobrir a real identidade, aquela que acalme. 

Século 21, adolescentes de hoje nasceram com a internet. seres globalizados que passam o dia conectados com o mundo. conectados a tudo que acontece em tempo real.  

ha aquele incapacitado de esperar um só minuto sozinho. onde quer que esteja estará com a mente entretida e conectada a tudo que esta fora, as vezes quanto mais longe melhor. esquecendo do que ha dentro. não mais espera ônibus, esta conectado. não sabe contemplar por estar ansioso por tudo aquilo que ainda é preciso conhecer.

conhecimento precede amor. aceitação precede conhecimento. aceitar o que? será preciso observar para saber. como poderemos observar o que é preciso ser aceito dentro de nos, se estamos continuamente conectados e entretidos com o que esta fora de nos? 

o amor ao inimigo esta intimamente ligado ao amor próprio. como não temos interesse em olhar para dentro de nos e desenvolver o amor próprio nem precisamos nos preocupar com inimigos, pois não os teremos.


tensão pode matar, é preciso contemplar.

relaxar.

integrar.

religar.

ar.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Ayurveda - The Art of Being (full doc.)

Um filme que aborda a milenar medicina indiana por pontos de vista de diferentes praticantes. Medicina sem fins lucrativos, o alcance da cura através da observação dos sintomas para se chegar a origem da falta de saúde. A doença como caminho para o auto conhecimento. A cura se torna transformação, transcendência. Um obra imperdivel para aqueles que buscam um mundo melhor.


click e assista: https://www.youtube.com/watch?v=X7tW6NRxYNw

quinta-feira, 10 de abril de 2014

DESCOVANDO



eu percebi enquanto escovava os dentes quão duro eu poderia ser ao lidar com coisas frágeis. quanta energia eu gastava para realizar coisas que poderiam ser realizadas quase sem esforço algum. isso que a pratica de yoga faz com a gente. somos iniciados a praticar observação através do corpo. coisas simples e mecânicas feitas todos os dias sem nunca observar o porque de se fazer como se faz. observar e observar ate  chegar ao entendimento, e entao continuar observando ate surgir a consciência. com a pratica de asanas (posturas físicas) desenvolvemos a capacidade de observar atentamente detalhes físicos com a finalidade de absorver o maior beneficio das posturas. se isso acontece na pratica física certamente acontece também em nosso dia a dia. ao observarmos detalhes em nossa rotina desenvolvemos consciência sobre tudo que nos cerca. desenvolvemos consciência sobre detalhes que se ignorados podem nos levar a catástrofes pessoais e ate tragédias que teremos de aprender a conviver ate o fim da vida. a vida é implacável. estamos aqui para aprender. desde o dia em que nascemos aprendemos coisas. se resistirmos observar certas questões, aprenderemos também, mesmo que seja uma lição diferente e na maioria das vezes dolorida, mas que no fim talvez seja a base para liçōes mais elevadas. no caso dos meus dentes, eu poderia facilmente arrumar uma gengivite ou algo pior, como reação a vida mecânica. o que realmente já aconteceu. se fosse somente esse o único beneficio já seria  suficiente, porem o aprendizado supera em muito, tanto em sutileza quanto em profundidade, minha saúde bucal.

terça-feira, 8 de abril de 2014

VIPASSANA

em 2013 ainda com algum dinheiro no bolso resolvi me dedicar a nao fazer nada. guardei a televisão no armário. cancelei a assinatura do jornal e por fim consegui minha vaga no vipassana. queria ver quanto tempo levaria para me tornar completamente alienado, sem influencias da midia. agora seria eu a buscar informação e os estímulos viriam de tudo aquilo que me faz vibrar. ha 3 anos sou perseguido pela ideia de fazer este curso de meditação, já tendo inclusive feito a inscrição, mas por motivos de trabalho acabei nao podendo ir. coincidentemente junto ao meu propósito de exclusão consigo a tao esperada vaga. mal sabia eu que o voto de silencio por dez dias seriam pinto perto do que seriam as doze horas por dia sentado em meditação. como desde pequeno meu super herói favorito foi jesus cristo, pensei que o vipassana ainda seria mais fácil que o jejum de 40 dias no deserto, e la fui eu. coloquei meu nome no site do curso para tentar arranjar uma carona, pois Miguel Pereira fica quase 3 horas do rio e também sociabilizar com alguém antes de chegar, ja que la isso nao seria possível. enfim, nao consegui carona e fui de carro sozinho. imprimi o mapa e dirigi devagar num dia de sol.
depois dos intermináveis quatro quilómetros de estrada de terra, cheguei. 
no preenchimento da inscrição quase surtei pensando como faria, caso chovesse, para sair dali com meu carro modelo executivo. imaginei a estrada toda enlameada. eu com o carro atolado no meio do nada. pensei as piores coisas possíveis, pensei ate em desistir. entao pensei na desculpa que daria a aqueles que me esperavam dali ha dez dias, e desisti de desistir.
fiquei esperando, enquanto pessoas preenchiam seus formulários, alguns pareciam ter vindo juntos. eu ali, ja em perplexo silencio e com forme. 
antes de começar foi servido uma sopa para entao a abertura do curso na sala de meditação. 
haviam 80 participantes entre homens e mulheres em sistema de segregação total. ao entrar pela primeira vez na sala de meditação ha um gerente informando discretamente o numero da almofada de cada participante, e a partir deste momento se estabelece o voto de silencio. noite de inverno, frio, floresta. chamam meu nome. eu me aproximo da porta. o homem aproxima seu rosto ao meu e diz discretamente: 24.
Na hora que escutei pensei comigo: porra-24!!!! E agora eu nao posso mais falar nada!!!! Ah, nao!!! E fui sentar na almofada 24. Por todo curso quando olhava para o 24 da minha almofada imaginava alguém rindo. Acho incrível como podemos rir das coisas mesmo sem compartilhar. 
foram cinco dias concentrados na região do nariz. observando o ar entrando pelas narinas, sentir os pelos nasais. observar o ar saindo pelas narinas. era tudo que se poderia fazer durante os cinco primeiros dias. ao todo foram 60 horas observando o ar passar pelas narinas. para nao ficar extremamente puxado ate essa fase do curso a técnica permite se mexer toda vez que houver desconforto no corpo. 
no quinto dia, conduzimos a mente pelo corpo desde o alto da cabeça ate os dedões dos pés. a partir desse momento nao se pode mais mover o corpo ate o fim do curso. no instante que me foi dito que eu nao poderia mais me mexer fiquei apavorado. comecei a me mexer muito mais rápido do que quando poderia fazer. senti multiplicar a quantidade de coceiras no rosto e as dores pelo corpo pareciam impossíveis de suportar.
a técnica consiste em desenvolver a capacidade de observar as sensações físicas sem desenvolver avidez ou aversão por elas. observando somente. imóvel, relaxado e atento. quando se desenvolve a capacidade de focar a mente em um único objeto, surge a capacidade de focar a mente em qualquer objeto, seja ele físico ou mental. 
observação sem identificação. observação somente. sem dramas. 
somente no oitavo dia consegui meditar sem me mexer. durante as meditações tive momentos de pura realização e também muitos momentos de desespero total. lembro de ter ficado pelo menos 20 minutos lutando contra uma coceira entre os olhos. tinha a nítida sensação que havia um inseto andando por ali. enquanto dizia para minha mente se acalmar pois era somente uma coceira, ela me implorava a coçar pois estava certa que era um inseto me picando. esse momento pareceu ter durado o dia inteiro e de um instante ao outro nao havia mais coceira, de forma que nem mais sabia onde era. 
quando observamos nosso corpo relaxado, percebemos varias descargas electromagnéticas, impulsos involuntarios que so percebemos quando imóveis. como estar na floresta e observar animais selvagens, se vc se mexe eles nao aparecem.
durante os seis primeiros dias de clausura e silencio, eu vigiava meu carro e a estrada que me levariam de volta pra casa. aos últimos dias esqueci completamente o carro. 
na fileira sentado logo a minha frente havia um jovem, imagino que para aproveitar o curso ao máximo resolveu nao tomar banho. eu sabia de olhos fechados quando ele chegava. outros soltavam gases durante as meditações. houve ate quem dormisse, indo parar no chão com um corte no supercilio. era ensinado que todos esses agentes da perturbação eram bem vindos, pois tal como professores, eles nos mostravam que nao estávamos meditando.
as varias horas sentados na mesma posição geram dores insuportáveis, chamadas sankaras, a estas atribuí- se todo pensamento, palavra ou ação que tenha gerado sofrimento a si ou a outrem. ha sankaras que desaparecem em alguns minutos, outros permanecem durante dias. a eles, aconselha- se observar somente, sem avidez ou aversão. no caso de aversão a uma sensação desagradável cria-se mais sankara de aversão. da mesma forma se desenvolvermos avidez a uma sensação agradável cria-se entao mais sankara de avidez. parece complicado, mas é isso mesmo. meditamos para queimar os sankaras que criamos ao longo de uma vida desatenta e corremos o risco de gerar ainda mais sankaras em nosso corpo se ao invés de somente observarmos as sensações que acontecem no corpo quando meditamos, começarmos a gerar aversão ou avidez diante delas. 
dormir também foi uma questão. após tanto tempo observando a mente se torna extremamente difícil parar de observar. resultado: passei todo curso em claro. no exato momento que iria cair no sono, levava um susto e voltava a despertar, assim passava todas as noites. por vezes surgiam imagens estranhíssimas pela minha cabeça e eu ficava chocado observando. depois descobri que eram sonhos. sonhava acordado. foi me dito também que muitos meditadores nao dormem. budha nao dormia, ficava em estado de sono, deitado, relaxado. hoje se fala que a meditação faz descansar seis vezes mais o corpo do que o sono. quando se dorme a respiração oscila, variando o batimento cardiaco. ha sonhos, ha stress. quando se medita se relaxa.
foi uma experiência fantástica, depois disso minha mae tambem fez o curso e adorou. pretendo fazer o próximo servindo na cozinha. ao decimo curso de dez dias é permitido fazer o de quarenta e cinco dias. Isso sim deveria ser obrigatório aos jovens, nao exercito. se quisermos praticar o amor em sociedade, devemos aprender a observar a mente, pois tudo que acontece, acontece primeiro na mente. numa era que somos estimulados a olhar cada vez mais para o exterior, consumindo coisas e nos distanciando ainda mais de nos mesmos. aqueles que param tudo e mergulham profundamente em si mesmos podem descobrir na solidão e no silencio algum sentido de existir

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

materia em movimento


            
Hoje voltei a ter sentimentos mórbidos. Porque será? O que eu andei fazendo para que eles voltassem? Estranho isso. Pensei se eu morresse o que de fato aconteceria. Pensei também em como eu poderia morrer. Pensei em fazer esporte mais radical. Porque se caso nao morresse teria emoções fortes, e talvez a vontade de morrer passasse ou mesmo se tornasse vontade de viver. 
Quando cheguei de viagem coloquei um vasilhame atras do vaso sanitário. Porque desde minha ausência ele deu pra pingar e para nao molhar o chão, coloquei esse vasilhame. Nada pior do que entrar num banheiro com chão molhado. Hoje cheguei em casa com pensamentos mórbidos e o vasilhame estava a uma gota de transbordar. Um vasilhame de um litro, que leva em torno de oito horas pra encher. Parecia que ele estava me esperando. Tal um cachorro, esperando que vc o leve pra mijar. Acho que Deus olha o mundo através dos meus olhos, mas também através dos olhos de todo mundo. Inclusive dos olhos das pedras. Hoje aprendi com o vasilhame atras da minha privada. Ele me mostrou que estava segurando a onda. Se realmente me atrasasse ele nao aguentaria e mandaria uma ondulação em serie que jamais retornaria. Seria um movimento catastrófico. Os olhos do vasilhame atras da minha privada me ensinaram isso. Desde sempre penso no destino das coisas. As vezes um simples papel que viaja em meu bolso por dias, semanas ou meses e que deposito num lugar muito distante de onde originalmente encontrei. As vezes levo coisas (como um bilhete de cinema que acho num bolso)  de uma cidade a outra ou mesmo outro pais, no momento do abandono penso na minha interferência no destino da coisa. Mas se é destino, entao é a coisa mesmo que esta pegando carona no meu bolso e só agora me pediu pra descer. Fico entediado por estar muito tempo num so lugar. Ja temos que repetir todos os dias as mesmas coisas, caso seja outra casa, bairro, cidade ou pais a rotina deixa de ser repetição. O povo mais antigo do mundo é um povo nómade. Sao pastores de gado. Vivem atras da chuva na África.